Vida na montanha

O Vale do Minho não é habitado apenas por comunidades ribeirinhas. Quem olha além das margens esquerda e direita pode ver de longe o topo das colinas. São o lar de comunidades rurais marcadas por uma profunda relação com o território.

Isalina e sua filha Leonor são naturais de Castro Laboreiro, uma pequena vila que pertence ao município português de Melgaço. Castro Laboreiro está localizado entre montes, nas profundezas do Parque Nacional da Peneda-Gerês e é uma das aldeias mais emblemáticas do país. O seu isolamento permite que aspetos do património histórico e cultural desta pequena comunidade como sua arquitetura, paisagem e sobretudo o modo de vida de suas gentes permaneçam inalterados, os quais seriam totalmente impossíveis de preservar de outro modo.

Isalina e sua filha Leonor preservam o antigo costume da transumância. Quando o frio do inverno começa a subir, as pessoas mudam-se para as áreas mais baixas da montanha, onde têm uma segunda casa, a inverneira, que lhes permite passar os meses mais difíceis do ano. Durante a primavera e o verão eles vivem na conhecida como branda.

“Natal abaixo, Pascua acima”, dizem. No passado, tanto as viagens foram feitas a pé, só ajudavam os carros de vacas a carregar os pertences necessários para estes meses. Hoje tudo é feito de trator. A emigração e as mudanças sociais e económicas ocorridas durante o século XX, muitas foram as famílias que deixaram de se mover entre brandas e inverneiras. Nem os invernos são os que eram, nevam menos e faz menos frio.

Tradicións

Na paróquia existem tradições como a da montanha comunitária ou baldio (propriedade da associação dos vizinhos e habitantes da paróquia), os muinhos no rio e a eira comunitária. Por outro lado, outras já desapareceram como os teares, onde se usava a lã das ovelhas para fazer os cobertores da casa. Depois de rapar as ovelhas, a lã penteava-se, cardava-se e finalmente lavava-se.

Muito mais conhecido foi o Entroido ou Carnaval, que até durou durante os tempos difíceis da ditadura de Salazar. As pessoas que se disfarçaram foram chamadas farrangalleiros e aproveitaram o carnaval para fazer diabruras, como espancar aqueles que não estavam disfarçados com sacos cheios de tojos.

Nas montanhas sempre houve uma intensa celebração do Entroido ou Entrudo. Também, devido à influência da cultura galega, a tradição dos Reis Magos sobrevive na noite do dia 5 de janeiro, onde grupos de gente com instrumentos musicais percorrem a paróquia pedindo cartões ou comida para fazer uma festa.

Os habitantes deste território enfrentam sempre as dificuldades de viver numa zona com condições orográficas e climáticas que testam a ingenuidade e a adaptabilidade do ser humano para superar estas adversidades.

Os rebanhos de cabras e ovelhas, e mesmo as crias de vacas, são frequentemente atacados pelos lobos. Para defender os animais, os vizinhos contaram com a presença do cão da raça autóctone da serra, o caõ de Castro Laboreiro. Esta é uma raça em risco de extinção e Leonor irá manter um espécime.

Os Tesouros da vida na montanha